Quando se começa a pensar em construir ou remodelar uma casa, uma das primeiras perguntas é quase inevitável: quanto custa um projeto de arquitetura?
A resposta não cabe, porém, num único valor por metro quadrado.
Dois projetos com áreas semelhantes podem exigir um número de horas, uma equipa e um grau de desenvolvimento muito diferentes. O tipo de intervenção, a complexidade do terreno e do edifício, as fases contratadas, o detalhe pretendido, a coordenação das especialidades e os serviços que estão ou não incluídos influenciam o valor final.
Por isso, antes de comparar dois ou mais orçamentos de arquitetura apenas pelo preço, importa perceber o que está efetivamente a ser contratado.
Afinal, quanto custa um projeto de arquitetura?
Em Portugal, não existe uma tabela obrigatória de honorários para arquitetos. Os valores são livremente acordados entre o profissional e o cliente e devem corresponder à natureza, extensão e complexidade dos serviços prestados. A Ordem dos Arquitectos identifica diferentes formas de calcular a remuneração, incluindo o tempo efetivamente despendido ou estimado, a área ou volume da construção, uma percentagem do custo da obra ou um montante global previamente acordado.
Isto significa que procurar simplesmente “preço de projeto de arquitetura por m²” pode dar uma ideia incompleta.
Um projeto não é apenas um conjunto de plantas. Envolve análise, conceção, decisões técnicas, articulação com outros profissionais, compatibilização de soluções, procedimentos administrativos e, consoante o serviço contratado, um nível muito detalhado de informação para a execução da obra.
O preço deve, portanto, ser analisado em conjunto com o âmbito do trabalho.
A dimensão da construção é naturalmente um dos fatores, mas está longe de ser o único.
Uma moradia num terreno plano e sem condicionantes poderá envolver uma realidade diferente de uma intervenção num terreno inclinado, num edifício existente ou num local sujeito a regras urbanísticas específicas.
Também fazem diferença o grau de personalização, a complexidade construtiva, o número de especialidades que terão de ser coordenadas, o nível de detalhe exigido e os serviços adicionais contratados.
Na Habitat Saudável®, existe ainda uma abordagem integrativa ao projeto. A arquitetura é pensada considerando não apenas a estética e a funcionalidade, mas também aspetos relacionados com a saúde geoambiental, sustentabilidade, conforto ambiental, eficiência e relação do edifício com o lugar.
Orientação solar, radiações naturais e artificiais, luz natural, ventilação, materiais, relação com o terreno e espaços exteriores, eficiência energética e qualidade do ambiente interior são exemplos de decisões que podem começar a ser pensadas desde as primeiras fases do projeto.
É precisamente por isso que dois ou mais orçamentos que aparentemente dizem respeito à mesma “casa de 200 m²” podem não estar a oferecer o mesmo serviço.
Quais são as principais fases de um projeto de arquitetura?
Um projeto desenvolve-se progressivamente. Segundo a Ordem dos Arquitectos, as diferentes fases permitem que o cliente vá acompanhando, avaliando e aprovando o desenvolvimento da solução antes de avançar para a etapa seguinte.
Numa explicação simplificada, o processo pode incluir a definição inicial do programa e das necessidades do cliente, o estudo prévio, o desenvolvimento do projeto para os procedimentos administrativos necessários, a articulação com os projetos de especialidades, o projeto de execução e, quando contratado, o acompanhamento ou assistência técnica durante a obra.
É importante perceber que nem todas estas fases estão necessariamente incluídas em todas as propostas de honorários.
Um orçamento pode abranger apenas o projeto necessário para efeitos de licenciamento, enquanto outro pode incluir também projeto de execução, coordenação de especialidades, imagens 3D, BIM, acompanhamento de obra ou outros serviços.
Essa diferença tem impacto no preço — mas também no nível de informação disponível quando chegar o momento de construir.
Projeto de licenciamento e projeto de execução não são a mesma coisa
Esta é uma diferença particularmente importante quando se comparam propostas.
O projeto necessário para aprovação pelas entidades competentes permite definir e validar a solução arquitetónica e cumprir os requisitos necessários ao processo administrativo. Mas isso não significa que contenha todo o detalhe necessário para construir.
O Projeto de Execução de Arquitetura aprofunda as soluções e transforma o conceito numa verdadeira base de trabalho para a obra: materiais, pormenores construtivos, dimensões, sistemas, acabamentos e outras especificações passam a ser definidos com muito maior rigor.
Esse nível de detalhe permite aos empreiteiros orçamentar com informação mais concreta e reduz a quantidade de decisões que teriam de ser tomadas já durante a construção.
Assim, um orçamento aparentemente mais económico pode deixar de fora precisamente uma das fases que mais tarde ajudam a controlar custos e imprevistos.
E os projetos de especialidades?
Outro ponto que deve ser esclarecido antes de comparar preços é a integração das diferentes especialidades de engenharia.
Projetos de estruturas, comportamento térmico, acústica, águas e esgotos, eletricidade e outras componentes técnicas fazem parte do desenvolvimento global de uma obra e têm de dialogar com a arquitetura.
Convém perceber se a proposta inclui apenas o trabalho do arquiteto, se inclui também os projetos de especialidades e quem assume a sua coordenação.
Uma das vantagens de trabalhar com uma equipa multidisciplinar é precisamente poder discutir as diferentes soluções de forma integrada, evitando que cada componente seja desenvolvida isoladamente. A Habitat Saudável® destaca esta capacidade de articulação como um dos aspetos relevantes na escolha de uma equipa de projeto.
BIM: o método de trabalho também pode fazer diferença
Nem todos os projetos são desenvolvidos da mesma forma.
Na Habitat Saudável®, a metodologia BIM — Building Information Modeling permite integrar arquitetura e especialidades num modelo digital comum, detetar incompatibilidades antes de chegarem à obra e manter coerência entre plantas, cortes, alçados e outras peças do projeto.
Para o cliente, isto traduz-se também numa maior capacidade de compreender o projeto, visualizar os espaços e tomar decisões numa fase em que as alterações ainda são mais fáceis de gerir.
A utilização do BIM pode ainda apoiar quantificações mais rigorosas e contribuir para maior previsibilidade no planeamento da construção.
Por isso, quando se comparam honorários, também vale a pena perguntar como é desenvolvido o projeto, e não apenas quanto custa.
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O que deve comparar em dois ou mais orçamentos de arquitetura?
Antes de decidir, coloque as propostas lado a lado e confirme se está realmente a comparar serviços equivalentes.
Verifique, em particular, quais as fases incluídas; se estão contemplados o projeto de execução e os projetos de especialidades; quem faz a coordenação; que levantamentos ou estudos são necessários; que tipo de apresentações e visualizações serão entregues; se existe acompanhamento durante os procedimentos administrativos; se há assistência em obra; quais os prazos previstos; quantas revisões estão contempladas; quais os serviços excluídos e como são tratados trabalhos ou alterações adicionais.
A própria Ordem dos Arquitectos recomenda uma definição clara dos serviços, atividades, responsabilidades, honorários e condições contratuais. O seu atual REF.ARQ foi criado precisamente para tornar as propostas mais claras, comparáveis e transparentes.
Só depois desta análise faz sentido comparar os valores finais.
O orçamento mais baixo é realmente o mais económico?
Não necessariamente.
Um projeto de arquitetura representa uma parcela do investimento total, mas influencia muitas decisões que terão impacto nos custos da obra e na utilização futura do edifício.
Uma solução bem estudada pode reduzir alterações durante a construção, evitar incompatibilidades, permitir comparar propostas de empreiteiros sobre uma base mais rigorosa e ajudar a escolher soluções com melhor relação entre desempenho, durabilidade e custo.
O projeto de execução, por exemplo, permite especificar com maior precisão paredes, isolamentos, caixilharias, coberturas, impermeabilizações, acabamentos e outros elementos. Quanto menos decisões forem deixadas para resolver sob pressão durante a obra, maior tende a ser a previsibilidade do processo.
Por isso, a questão não deve ser apenas “quanto custa o arquiteto?”, mas também:
“O que estou a receber por este valor e de que forma este projeto me ajuda a tomar melhores decisões sobre um investimento muito maior?”
Na Habitat Saudável®, o projeto começa antes do desenho
Para nós, projetar uma casa não significa simplesmente organizar divisões dentro de uma determinada área.
Começamos por compreender o terreno, o lugar e as pessoas que vão utilizar o espaço.
A implantação, a orientação solar, as radiações naturais e artificais, a relação com a envolvente, a entrada de luz natural, a ventilação, os materiais, a eficiência energética, os espaços exteriores e as necessidades particulares de quem vai habitar a casa fazem parte de uma visão integrada.
Ao longo do desenvolvimento do projeto, tecnologia e detalhe técnico ajudam depois a transformar essa visão numa solução exequível e coerente.
O objetivo não é apenas chegar a uma casa bonita.
É criar um espaço saudável, sustentável, funcional e preparado para acompanhar quem o habita ao longo do tempo.
Então, como saber quanto vai custar o seu projeto?
A forma mais fiável é partir de informação concreta.
O tipo de intervenção, a localização, as características do terreno ou imóvel, a área pretendida, o programa de arquitetura, as necessidades da família, o nível de serviço desejado e o orçamento disponível para a futura obra permitem perceber a verdadeira dimensão do trabalho.
Só então é possível preparar uma proposta adequada ao projeto — e explicar com clareza o que está e o que não está incluído.
Se está a pensar construir ou remodelar e pretende perceber que tipo de projeto se adapta ao seu caso, fale com a equipa da Habitat Saudável®.
Antes de lhe apresentarmos uma solução, queremos perceber como pretende viver o espaço.
Na Habitat Saudável®, projetamos espaços que cuidam de si e do lugar onde se inserem.
